Aspirado de medula óssea (BMAC) no joelho: o que é

O BMAC é o concentrado do aspirado de medula óssea, colhido em geral com uma agulha nos ossos, mais comumente da bacia e tíbia, e aplicado por infiltração no joelho, associado ou não com ácido hialurônico. Ele contém uma fração de células e fatores de crescimento, e não é o mesmo que uma terapia de células-tronco isoladas. É um procedimento em estudo, com evidência crescente em artroses moderadas e lesões de cartilagem, e não regenera cartilagem como fato comprovado nem substitui cirurgia quando ela está indicada.

O que é o aspirado de medula óssea (BMAC)

BMAC vem do inglês bone marrow aspirate concentrate, ou seja, concentrado do aspirado de medula óssea. O médico colhe uma quantidade de medula óssea, em geral da crista ilíaca (o osso da bacia) ou perna (tíbia), e passa esse material por uma preparação. O que sobra depois é uma fração concentrada que contém células (incluindo algumas células progenitoras), plaquetas e fatores de crescimento. Essa fração é o que se aplica dentro do joelho.

O BMAC contém células, mas não é uma terapia de células-tronco isoladas. As terapias celulares avançadas usam células-tronco selecionadas, cultivadas e expandidas em laboratório, e seguem regras próprias. O BMAC é o concentrado bruto do aspirado, sem esse cultivo. Essa distinção importa porque as duas coisas costumam ser confundidas em propaganda, e o embasamento e a regulação de cada uma são diferentes.

A proposta do BMAC em ortopedia é usar as células e os fatores de crescimento do próprio paciente para tentar reduzir a inflamação e a dor em quadros de desgaste ou lesão de cartilagem. Se essa proposta se traduz em benefício clínico consistente é justamente o ponto em aberto, tratado mais abaixo. Consulte sempre avaliação médica individual.

Como o BMAC é feito no joelho

O procedimento costuma acontecer em uma única sessão, com três etapas no mesmo dia:

A aspiração da medula pode causar uma sensação de pressão ou puxão momentâneo durante o procedimento, e um desconforto leve na região da bacia por alguns dias, que costuma ceder com gelo e analgésico simples. A anestesia local, e a sedação reduzem bastante o incômodo. O ortopedista deve explicar cada passo, os cuidados depois e os riscos antes de você aceitar.

O que a evidência mostra hoje

Aqui é onde a conversa precisa ser honesta. Os dados sobre BMAC no joelho, em lesões condrais e em osteoartrite, ainda são iniciais e limitados. Não há consenso das sociedades e diretrizes de ortopedia que sustente o BMAC como tratamento de rotina.

Alguns pontos que precisam ficar claros:

Regulação no Brasil: ANVISA e publicidade CFM

O BMAC entra no campo dos procedimentos com evidência ainda em aberto, e isso tem consequência prática na forma como pode ser oferecido e divulgado. Terapias celulares e produtos de terapias avançadas são regulados pela ANVISA. Fora de protocolo ou pesquisa aprovada, terapias celulares não são oferta de rotina.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) restringe a publicidade de procedimentos com resultado não comprovado. Na prática, isso quer dizer que o BMAC não deve ser divulgado com promessa de cura, com imagens de antes e depois, ou com porcentagem de sucesso. Desconfie de qualquer oferta que garanta resultado.

Antes de aceitar um procedimento assim, é razoável perguntar ao ortopedista qual é o embasamento, o que a evidência mostra hoje, quais são os riscos e quais alternativas têm mais respaldo no seu caso. Uma segunda opinião é sempre uma opção. Consulte sempre avaliação médica individual.

BMAC comparado ao caminho conservador

Vale entender onde o BMAC se posiciona diante do que já tem respaldo maior no dia a dia da ortopedia.

Tratamento conservador

  • Fisioterapia e fortalecimento muscular
  • Controle de carga e perda de peso quando indicada
  • Analgesia e ajuste de atividade
  • Respaldo maior em diretrizes de ortopedia
  • Primeira linha na maioria dos quadros

BMAC no joelho

  • Procedimento em estudo
  • Não é tratamento de rotina no Brasil
  • Não regenera cartilagem como fato comprovado
  • Não garante evitar prótese
  • Não substitui cirurgia quando indicada

O caminho conservador (fisioterapia, fortalecimento, controle de carga) segue como base do tratamento da artrose do joelho e das lesões de cartilagem, e a cirurgia entra quando indicada. Se o BMAC tem lugar em algum caso específico, isso depende de avaliação individual do ortopedista, com exame físico e imagem atualizada.

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Quando procurar um ortopedista

Vale procurar um ortopedista quando a dor no joelho:

Se você viu propaganda de BMAC, células-tronco ou medicina regenerativa e ficou em dúvida, uma consulta ajuda a entender o que a evidência mostra no seu caso e quais opções têm mais respaldo antes de você decidir. O cliniX ajuda a encontrar e agendar essa consulta com um ortopedista da sua cidade, com retorno claro de horário e custo antes de você confirmar.

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Perguntas frequentes

BMAC é a mesma coisa que célula-tronco?

Não é a mesma coisa. O BMAC é o concentrado obtido do aspirado de medula óssea, uma mistura que contém uma fração de células (incluindo algumas células progenitoras), plaquetas e fatores de crescimento. Ele contém células, mas não é uma terapia de células-tronco isoladas, que passa por cultivo, expansão e seleção em laboratório. As terapias celulares avançadas com células-tronco cultivadas são reguladas pela ANVISA e, fora de protocolo de pesquisa aprovado, não são oferta de rotina no Brasil. Se o objetivo é entender o que exatamente vai ser aplicado no seu joelho, peça essa explicação ao ortopedista antes de decidir.

O aspirado de medula regenera a cartilagem?

Não há prova estabelecida de que o BMAC regenere a cartilagem do joelho. A cartilagem articular do adulto tem capacidade muito limitada de se recuperar sozinha, e os estudos disponíveis sobre BMAC em lesões condrais e osteoartrite são iniciais, em número pequeno e com resultados mistos. Alguns pacientes relatam alívio de dor por um período, mas isso não é o mesmo que reconstruir cartilagem. Tratar a regeneração de cartilagem como um resultado garantido não tem base na evidência atual. A leitura do seu caso cabe ao ortopedista.

BMAC evita a prótese de joelho?

Não há garantia de que o BMAC evite a prótese. Em joelho com desgaste avançado, deformidade do eixo da perna, instabilidade ou perda importante de cartilagem, a causa é mecânica, e o aspirado não corrige isso. Nesses cenários, a indicação cirúrgica costuma se manter. O BMAC não substitui a cirurgia quando ela está indicada. Prometer que a aplicação afasta a prótese não tem apoio na evidência atual. Cada caso precisa de avaliação individual do ortopedista, com exame físico e imagem atualizada.

É aprovado no Brasil?

O BMAC é um procedimento em estudo, com evidência limitada, e não um tratamento aprovado como rotina para o joelho no Brasil. Terapias celulares e produtos de terapias avançadas são regulados pela ANVISA, e o Conselho Federal de Medicina (CFM) restringe a publicidade de procedimentos com resultado não comprovado. Isso significa que o BMAC não deve ser oferecido com promessa de cura, antes e depois, ou porcentagem de sucesso. Antes de aceitar, pergunte ao ortopedista qual é o embasamento, o que a evidência mostra e quais são as alternativas com mais respaldo.

Dói para colher a medula?

A colheita costuma ser feita com anestesia local e sedação leve, o que reduz bastante o desconforto. A medula é aspirada com uma agulha própria. Durante a aspiração pode haver uma sensação de pressão ou puxão momentâneo, e depois um incômodo leve na região por alguns dias, que cede com gelo e analgésico simples.

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Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Sintomas variam de pessoa pra pessoa; somente um médico pode diagnosticar e indicar tratamento. Em caso de dúvida, fale com o cliniX ou procure atendimento presencial.